Thursday, August 17, 2006

Revelações

Conversando com a Lica esses dias no aniversário da Thais, chegamos ao seguinte consenso: a
Caipirinha Nórdica só faz sentido em viagens. Em São Paulo, ela pode ser a Caipirinha do Asfalto, mas a Nórdica, só faz sentido na busca e apreensão do desconhecido (ahhh, mandei bem nessa expressão ae, hein?)

Pois então tenho assunto. Graças a minha vida de estudantes, recheada apenas por frilas, tive a liberdade de viajar bastante no mês de julho. Acho que tomei gosto por viajar lá nas Europas, virou um vício. Meio caro, mas afinal, qual não é?

A primeiro viagem de julho foi uma viagem em busca da adolescência perdida. Fiz um mini-mochilão-familia-alheia para o sul do Brasil. A Piti ia se apresentar num Congresso, tem parentes por lá,enfim, rumamos eu, os pais de Piti, Piti e Luciana rumo a cidades com parentes e conhecidos no sul do Brasil. Fazia tempo que eu não viajava só com a mulherada, ainda mais com as amigas de infância. A baladas de anos anteriores virou o Jornal da Globo dos dias atuais... Mas foi engraçado perceber, que estou envelhecendo com decência. Não sinto tanta falta da gandaia. Talvez porque tenha aproveitado até o talo. Mas acho que a semi-velhice é interessante também. As pessoas conversam mais, e em algumas, como na Luciana, já deu até para perceber certos sinais de hipocondria.

O mais da hora dessa viagem foi a visita que fizemos a uns parentes da Piti em Senges, divisa do Paraná com São Paulo. O tio Emilio é uma dessas figuras que vc só encontra uma vez na vida. Cigarro permanentemente no canto da boca, não importa se a atividade envolvida é comer ou assobiar: ele confessou que fuma três mestros de cigarro por dia, e é mais um caso que confirma que as estatísticas sobre fumantes só podem estar erradas: o véio é mais saudável que todos os meus amigos boêmios juntos. Ele é fazendeiro e dono de posto de gasolina. Em um dos postos, uma Nossa Senhora da Aparecida de 5 metros vigia o movimento dos caminhoneiros. Na fazendo tudo é grande: uns santos barrocos esculpidos por um artista mineiro que morou lá por mais d eum ano por conta das obras. No mínimo uns 5, cada um com dois metrso cada. O tio Emilio é um megalomaníaco de marca maior, e com muita classe. A história clássica do Tio Emílio é que ele escasquetou de criar uns leões lá na fazenda dele. Dois, um macho e uma fêmea. Os parentes pararam de visitar a fazenda por medo dos bichos, o que em nada alterou a convicação do Tio Emilio. Até que um dia um leão comeu o outro. E então por bem, eles acharam melhor matar os dois leões. E empalharam. E eles têm uma sala só d ebichos empalhados. Desde galinhas até os leões. Soma-se a isso os santos barrocos, vasos de um metro e meio de diâmetro da entrada da fazenda. É digno de nota.

Depois fui para João Pessoa com meu pai e minha irmã menor. Outro revival: viagem em família. os dois só queriam ficar de boa e eu fui voto vencido, obrigada a ficar por ali, na piscina do hotel. Mas foi muito interessante a viagem, porque vi a cidade com outros olhos. Para que não me conhece a tanto tempo, já fui umas 5 vezes a João Pessoa, dos 8 aos 13 anos, praticamente. Minha puberdade em João Pessoa... parece até título de música do Raimundos. hahahaha. Foi em João Pessoa que eu tive meu primeiro amor de adolescência platônico.(o platonismo desde então virou uma especialidade, somente recentemente curada). Aliás. essa história é muito boa.

O menino era um carioca, o Alex, tinha 17 anos e eu 12. Ele era desses cariocas da perifa, muito gente boa. A questão é que eu era um tribufu nessa época: usava uns cabelos Jesus, um óculos de armação preta quadrada enorme e a forma física não era lá das melhores. E o Alex gostou de mim. Só que para meu azar, meus pais sempre foram da filosofia "irmãs unidas, onde uma vai todas vão". A Layla sempre dava um jeito de escafeder para tocar as campainhas dos outros apartamentos, mas a Leticia era um inferno, só ficava na bota. Eu anseava pelo meu primeiro beijo e a gordinha ali na cola, querendo jogar queimada. A consequência disso é que ela ouviu todas as minhas conversas com o Alex e tira sarro de mim até hoje. Eu sempre fui romântica, mas imagine uma tribufa-12 anos-nunca beijada? era cúmulo da pieguice. Boa parte do repertório da Letícia para tirar sarro de mim veio dessas férias. A preferida dela é quando o Alex comentou que ia a algum lugar com a namorada dele. Eu, caindo de um abismo, perguntei com lágrimas nos olhos "Vc tem namorada?" E ele, "Tenho, minha prancha" hahahahahahahha.
É lógico que ela contou essa história para o Daniel na primeira oportunidade que ela teve. E ele, claro, não me deu nenhum apoio moral, cascou o bico com ela.

Uma coisa engraçada sobre o Alex é que com o advento do Orkut eu achei ele, mandei um email e contei que ele tinha sido meu primeiro amor. Sei lá, achei que ele fosse gostar de saber. Ele, pelo jeito, continua gente boa e respondeu "Nossa, eu nunca imaginava! Espero que vc não tenha sofrido muito". Não, não, só alguns anos...

O Hotel Tambaú, que pertence a Fundação Rubem Beta já teve dias mais gloriosos. Com a Varig quebrada, o hotel sofreu a consequencia disso. Pedi um sanduiche de peito de peru e veio um apresuntado de quinta categoria.

Mas a cidade é muito bonita e dois episódios devem ser ressaltados dessa recente visita. Talvez três.

O primeiro é que meu pai caiu na balada, e não quis saber da gente acompanhando, não. Tudo começou no primeiro dia, quando eu estava acabada e queria ir dormir, e a Lê também. Crente que ele ia nos acompanhar soltamos um "Vamos?", já nos levantando do restaurante. E ele "Não, não, vou pro barzinho aqui da frente escutar um som". e ele ficou lá até umas 3 da manhã. a cena se repetiu nos outros dias, mas a Lê, por ordem da minha mãe, não deixou mais ele ir sozinho. hahahahaha, uma vez ele fugiu da Lê e ficou lá da janela do quarto olhando ela procrar por ele no bar hahahahahahah. foi foda.

O segundo envolve meu pai também. Em um dos dias estávamos tomando sol na piscina do hotel e um garçon trouxe para ele um coquetel de fruta "de cortesia". no mesmo dia, fomos jantar no restaurante do hotel e o mesmo garçon estava lá, se desfazendo em gentilezas para o meu pai. No terceiro dia, o mesmo garçon, agora já sabíamos seu nome, o Carlão, estava no restaurante e a presença do meu pai deixou ele desconcertado. Ele anotou os pedidos errados, trouxe uísque sendo que a gente tinha pedido vinho, derrumou a gaveta de talheres e fez um estrondo no restaurante. A Lê até falou "eu acho que ele está drogado". mas eu cá comigo já sabia qual droga estava surtindo no organismo do Carlão: a droga do amor uiuiuiu. Qual não foi nossa surpresa quando no cafezinho Carlão solta para o meu pai: "Nossa, fui tão desastrado hoje! Vou até te convidar para uma cerveja para me desculpar!"" hahahahahahahahahahhaha, cerveja de cu é rola, meu pai saltou de banda. mas não escapou de ouvir as nossas gozações. e o único comentário que ele soltou foi " e aquela merda de coquetel de fruta ainda era sem álcóol..."

No último dia, conheci através da Carmem, uma amiga nossa em João Pessoa que é a mais fofa das fofas, umas meninas mais ou menos da minha idade lá de João Pessoa. Meirileine, Larissa e Luciana. Engraçadas até o talo, essas meninas me levaram para a balada em João Pessoa. E lá estávamos na pizzaria quando chega... o filho do dono da cidade. O pai dele é o cara de João Pessoa. São dele a maioria da slojas de marca do shopping, como a Diesel e a Replay e na festa de aniversário da filha ele chamou a Ivete Sangalo para cantar. O filho dele era um bagulhão bem arrumado, afinal o que o dinheiro não faz? Sentou na mesa e a primeira frase que disparou foi para mim "Você não é daqui, ne?". Não mesmo, mas como ele sabia? huuumm, será o tom de pele? mas ele estava de graça era com a Larissa, que astuta, saiu fora delicadamente. depois ouviu as criticas de Meirileine"Fica dando bola para esse cara..." e Larissa "ÊEE Meirileine, parece que não conhece, se eu trato mal, a gente é morta e ninguém nem acha o corpo".Os jagunços ainda vivem. Eu sei que me diverti muito com essas meninas, e a gente se deu tão bem, que no fim da noite elas já estavam me chamando até de apelidos carinhosos como "arretada" ou "quenguinha".segundo elas me explicaram, no bom sentido.

A viagem derradeira foi para a Flip, em Paraty. Eu sempre quis ir, mas nunca podia, estava sempre trampando. Arrumei um frila como pretexto e lá me encaminhei. O episódio mais da hora de Paraty, foi esse frila. Eu fui entrevistar a tatataraneta de D.João, a Killy, uma menina muito fofa e amorosa. Ela tem síndrome de Down e lançou um livro na Flipinha, versão infantil da Flip. Durante a entrevista, tudo OK. Na hora das fotos, eu não me aguentei: estava na sala real! Tive que tirar uma foto com uma bengala com a cabeça de D. João, a qual encarei como um cedro. E confesso que tirei mais algumas. Confidenciais.

Thursday, June 29, 2006

Férias

Esses dias ai para trás, entre um texto e outro, capotei.
E então tive um sonho: sonhei que o Walter Benjamim, com a aparência do Marx, chegava para mim e dizia: "Agora, vc vai conhecer o seu vazio existencial".
Plin, acordei. Com uma sensação de angústia que há muito tempo eu não tinha.
Minhas férias começam amanhã, e então poderei dormir sossegada.

Friday, June 16, 2006

Coisas que irritam na Copa

As da Globo
-"O povo quer saber porque o Fênomeno está jogando tão mal" Galvão Bueno e todos os correspondentes
- "O jogo é dramático" Galvão Bueno
- Cacete, custa eles perguntarem para alguém como se pronuncia as palavras em alemão corretamente? um misto de carioquês com inglês é de vomitar.
-Ana Maria Braga no hotel da seleção, com intervenções do Louro José (senhor pai amado)
- O casal doriana Fátima Bernardes e William Bonner ("Williammmmm", "Fátimaaaa"). Tomara que descubram que um dos dois é traveco.
- Artistas caídos, como Daniela Mercury, Ciça Guimarães e adjacências se agarrando ao último minuto de fama.
-O Faustão em cada comercial dizendo que o filho dele que ensinou ele a mandar mensagem


Na rua
- Cornetas (só é legal para quem toca, e o palhação acha que tá abafando, tira a boca da corneta e se racha de rir)
-Crentes na "Marcha para Jesus" com camisetas verdes e amarelas e cornetas.
-Liquidações do tipo "Brasil na Copa e você com um novo liquidificador. Primeira parcela só depois do Copa"


Na televisão
- TODAS as empresas, sejam elas do ramo que forem, procurando desesperandamente um link com a Copa (é do naipe "Ortobom, no jogo contra a Austrália, faça o seu canguru perneta num colchão Ortobom",)- essa propaganda não existe, é um mero exemplo ilustrativo
-O quadrado mágico pagando de gatinho nos comerciais
- O comercial da Schincariol com o elefante

Durante os jogos
-Meninas falando dos jogadores (inlcuindo-me "Ui, olha que delícia")
-Meninas falando das pernas dos jogadores (incluindo "Olha o coxão...")
-Meninas comentando que Kaká era virgem quando se casou
-Meninas comentando sobre a sorte da esposa do Kaká ("Se deu bem a umazinha...")
-O Cônjuge cornetando na sala e gritando "Vai Brasil", independente do jogo que está passando ser do Brasil ou não.
-Seus horários serem afixados de acordo com o horário dos jogos ("Olha, quer almoçar vamos agora, pq eu não vou depois que começar Inglaterra X Trinidad e Tobago")
- O Pl torcendo para o Zé Roberto fazer o primeiro gol, só porque ele apostou no bolão.

Saturday, May 06, 2006

Um post amargo de uma pessoa triste

Sempre paguei pau para os caras que têm os culhões de levar a tragédia até seu limite.

Lembro de que quando vi Irreversível fiquei impressionada com a cena do estupro, mas não propriamente por sua brutalidade, mas sim porque naquele contexto somente aquela cena, do jeito como ela era, fazia sentido. Para os que não viram um filme, a Monica Belucci é estuprada por longos e intermináveis minutos do filme. Falar que o estupro é brutal é pleonasmo. Admirei o Gaspar Noe por ter tido a coragem de dar ao filme o que era do filme. Para o filme, fazia todo o sentido a cena durar aquela eternidade e o cineasta pagou para ver, mesmo provocando a agonia dos espectadores. Ele levou a cena até seu limite.

Mas quando isso acontece na vida real, as coisas não são tão fáceis assim. Quando uma coisa muito ruim acontece na sua vida, alguma coisa que vc simplesmente não esperava e vc nega-se veementemente a acreditar que aquilo possa estar acontecendo com vc, vc se pergunta e a resposta é que realmente não há limites para a tragédia.

Vc, personagem antagonista do enredo, começa a ver os fatos se desenrolarem de um modo estranho e não verossímil com o que até então estava ocorrendo. E então vc pensa "Não, isso não vai ocorrer porque simplesmente não faz o menor sentido isso acontecer, dentro do enredo isso não teria a menor função, cadê a catarse?". Bingo! A coisa aconteceu.

Daí, vc, ser que se considerava até então ateu, vê-se apegado às míseras esperanças de realmente existir alguma coisa que rege essa merda e que é justo e não vai deixar isso acontecer. Mas "Jede für sich und Gott gegen alle", já dizia o ditado. E depois que vc deu de tudo o que vc acreditava e isso não acontece, para quem apelar?

Miguel, meu sobrinho, virou uma estrela.

E porque é tão dificil aceitar que isso pode não ter tido um sentido maior, que pode simplesmente ter acontecido? Sentada em um banco do shopping após uma crise de choro causada por crianças saudáveis e saltitantes, uma moça puxou papo comigo e tirou do saco plástico um exemplar de "Nada é por acaso", da Zibia Gasparetto. Que cacete, porque para tudo tem que ter um sentido? É tão difícil aceitar que talvez a gente só tenha sido jogado aqui, que a nossa missão ESPIRITUAL seja nascer, comer, apodrecer gradativamente e morrer?? Não é possível que o conceito de justo ou injusto seja aplicado nesse mundo. É algum outro, que deconhecemos, ou no que acredito mais, é simplesmente aleatório.

Friday, April 07, 2006

Meu sobrinho é moleque!

A Layla, minha irmã do meio, está gravidíssima e me convidou para ir assistir ao ultrassom do bebê, no qual saberíamos o sexo.

Não sou hipócrita de me considerar uma pessoa normal, mas juro por Deus que temo pela saúde mental do meu sobrinho. Para começar, a madrinha possivelmente vai ser minha irmã Letícia, que não chama mais a Layla pelo nome, chama apenas de "bebê" e fala com ela com uma voz infantilizada. Já é preocupante.

Não basta, a mãe dele é a Layla, que dispensa qq comentário.
O Diego é o pai. Ele convidou eu e o Daniel para viajarmos com ele e com a Layla na lua-de-mel. Eu, com um excepcional ataque de bom senso "Não, Di, é sua lua-de-mel" e ele "ah, Lóris, o que os outros fazem na lua-de-mel eu já fiz faz tempo e vai nascer daqui alguns meses" hahahahaha

A família do Diego é totalmente bafão tb. Conheci a família em um incidente não muito grave, mas em que todos fomos parar no hospital. Depois que a família dele viu que estava todo mundo fora de perigo, correu para o boteco mais próximo com um isopor, encheu de breja, comprou aqueles salgadinhos (deliciosos) tipo Cebolitos e ficaram enchendo o coco na frente do pronto-socorro. Rolou até uma sessão intimidade, com direito a nome de proctologistas, caso alguém precise um dia, vai saber...

Achei que era exceção, até o dia da ultrassom. Em primeiro lugar, só podiam entrar 3 pessoas na sala. As famílias ( a minha e a dele) tanto torraram a paciência das enfermeiras que entraram
6. Minha mãe, a mãe do diego, a tia do Diego, a prima do Diego, o Diego, eu e a grávida.

Deitaram a Layla na maca "vc quer saber o sexo?" resposta em coro das 3 matronas "SIIMMM" o médico então "é menino" e a mãe do Diego "eu bem sabia, olha o PISTOLÃO" hahahahahahahahhahahaha. fodissima.

Então o médico "O pipizinho dele tem 9 milimetros" comentário meu amargo e impensado "tem gente que depois de grande tem mais ou menos isso" Risada das coroas e do Diego, o médico ficou tenso.

O médico insiste em continuar " E o narizinho tem seis milimetros", e é a vez do Diego "Nossa, o moleque vai nascer só pinto e nariz". Eu me cago de rir. O médico se cala, resignado.

Daí por diante ele só mostrou partes que não pudessem gerar comentários polêmicos, como estômago, perninhas, mãozinhas....

Agora indo para a parte tia coruja: mano, é emocionante. Dá para ver direitinho ele de perfil, as perninhas, as mãozinhas fechadas. Ai, que da hora ser tia.

O nome vai ser Miguel.

Saturday, March 25, 2006

A vida universitária dói

Para quem não sabe, voltei agora no começo de março. Vou pular a parte de como voltar é esquisito, reconhecer pessoas e espaços, como nada mudou mas tudo mudou, o olhar estrangeiro sob o lugar que vc viveu sua vida toda. Essa parte eu vou pular e vou para a parte prática. (por falar em prática, aos jornalistas que gentilmente lêem esse blog, estou no mundo da prostituição jornalística e aceito frilas)

Passei esse mês me março praticamente fazendo duas coisas: revisitando pessoas e indo na USP. Resolvi por minha vida em ordem, chega, eu sou praticamente um dinossauro da FFLCH. Estou fazendo 9 aulas na Letras e mais aulas no Goethe. Esse experiência intensiva de universitária me fez observar uma figura sempre presente nas salas de aula: o chato.

A figura do chato é mais complexa do que imaginamos. O momento orgasmático do chato é a sala de aula, já que ninguém na sala de aula se levanta e grita para o chato "porra, mano, vc é chato para caralho", coisa que facilmente aconteceria em uma mesa de bar. O chato pode ser chato na essência, no estado mais puro da sua natureza.

O resultado da minha observação detectou que, basicamente, existem 4 tipos de chatos. As chances de não ter nenhum chato na classe é reduzida, assim como a chance de concentrar os quatro. Normalmente, classes comportam dois chatos, o que já é o suficiente para te tirar dos nervos e sair da aula se questionando se ao invés de se matar todos os dias nas salas abafadas da USP e disputar espaço a cotoveladas para pegar o último pedaço de melancia no bandeijão, se não seria mais fácil economizar alguns neurônios, pagar uma boa academia, comprar calças e tops de cotton agarradinhos, ficar gostosa e arrumar um otário que te banque pela sua bunda. Não, vamos lá, Lorena, vc é uma mulher moderna, quer estudar, vamos lá.

Voltando aos chatos. O primeiro tipo de chato, e na minha opinião o menos danoso a saúde, é o surdo. O surdo é aquele que nao escuta nada o que o professor diz e pede para ele repetir tudo palavra por palavra. A frase do surdo é "Professor, o senhor pode repetir a colocação sobre o romantismo alemão?", repetida em média, três vezes por aula. Esse surdo é um pobre coitado. É também comum ver o surdo espiando no caderno do companheiro ao lado, já que perdeu o que o professor acabou de dizer.

O segundo tipo de chato é o que esbanja conhecimento, o vomitador. Esse irrita pacas tb, mas todo mundo percebe que ele é chato e troca olhares quando ele levanta a mão, já prevendo a vomitação aleatória. A frase mais comum do chato é (levantar a mão, esperar ser chamado e...) "Professor, a respeito do que o senhor dizia sobre a obra de X, é também correto afirmar que a obra é baseada num aspecto pscicológico do autor que segundo as citações de Y no livro Z, corresponde a uma nova interpretação de H?". O cara é mala, mas beleza, porque todo mundo percebe que ele é mala.

O terceiro tipo de chato, esse me irrita bastante, é o que repete o que p professor acaba de dizer, só que em outras palavras. É o famoso parafraseador. Frase do parafraseador? Perae que precisa da frase do professor antes. Frase professor "Machado de Assis gostava de usar calças de capoeira" (é um exemplo, claro). Frase do chato " Professor, o famoso escritor mulato do fim do século 19 apreciava usar pantalonas utilizadas pelos negros em sua dança trazida da África?". Esse chato é um caso complicado, pq ele acha que ninguém percebe que ele é charlatão, se acha o bonitão da bala Chita. É comum tb após o professor com um ar enfadado concordar "sim, exatamente isso", o parafraseador fingir que faz uma anotação qualquer sobre a genialidade que ele próprio acabou de dizer. É de chorar.

O quarto, e na minha opinião, intolerável, intragável tipo de chato é o pica pau, aquele que passa a aula inteira balançando a cabeça concordando com o que o professor fala (como se ele tivesse o que concordar ou que discordar sobre alguma coisa). Esse cara é o cara que quando acaba aula vai lá ficar trocando idéia com o professor, mas tipo, TODA A AULA. É o cara que no passado, quando estava no colégio esperava o professor no corredor para ajudar ele a carregar as coisas, que se oferecia para apagar a lousa e no futuro é o cara que vai elogiar a sandália de couro do chefe (não se esqueçam que estamos na FFLCH), um puxa saco. A frase comum do pica pau é qualquer uma que enalteça o professor, normalmente dita para o colega do lado, mas em um tom de voz suficientemente alto para que o professor ouça tipo, "nossa, muito inteligente essa colocação dele, né?"

O capítulo sobre chato é merecedor ainda de muita reflexão, mas por enquanto, a minha observação acaba por aqui.

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Ir para a USP tb é a via crúcis. Já tentei alguns caminhos (Brigadeiro, Augusta e Rebouças) e todos eles são prenúncios do purgatório. Juro pela minha nem tão boa alma que outro dia vi um moleque com o rosto esmagado na porta do busão, fazia até bolhas a pressão do rosto sobre o vidro. Daí não tem como né, mandei o busão passar direto, afe. Outro dia, consegui ir sentada no motor do busão, do lado do motorista. E aqui vou confessar que tava me sentindo a rainha do busão. Até a alça da minha mochila enganchar no cambio e eu levar um xingo (justificado) do motô. Fui saber depois que reza a lenda urbana (desgraçado!) que sentar no motor do busão dá hemorróida. Temo pela saúde do meu botico.

A cobradora do busão que eu sempre pego deve fazer parte do movimento sindical (sem preconceito). Todos os dias, 7 e 25 da manhã, ela contagia a fauna busaniana a pensar no coletivo, no companheiro do outro lado da roleta "Gente, por favor, vamos dar um passinho para trás, por favor, todo mundo quer chegar no trabalho, quer estudar, então vamos todo mundo dar um passinho para trás". Dai rola um movimento coletivo e sobra um espaço ínfimo que cabe um cidadão dito honrado. E assim se sucede em todooos os pontos de ônibus até a USP.

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Sem contar aquele bandeijão. A comida é boa e tal, mas cada peça que aparece. O de Lima, um amigo meu que faz matemática aplicada (boa coisa tb não é, né) me contou que outro dia um moleque resolveu guardar um lugar no bandeijão. É a mesma coisa que pedir para um office boy guardar seu lugar na fila do banco, já era, mano. Daí veio uma mina, na moral, e tirou os livros de cima da cadeira, sentou e começou a mandar bala no bandeijão. Nisso o moleque chegou e reconhecendo seu posto tomado, começou a se esgoelar no bandeijão "Genteeee, que falta de bom sensoooooo", hahahahaha, é de morrer, ne?

Minha parte no bafão ficou por um dia que eu estava pegando feijão e deixei a concha cair dentro da bacia. nisso começou a formar uma puta fila trás de mim, nossa, mano, muita gente, e começaram a ficar inquietos. "porque tá demorando?", uma mina me perguntou. e eu "sei lá, algum idiota deixou cair a concha dentro do feijão" hahahahahahahahahaha, fiquei indignada.

Sunday, February 19, 2006

Intensivao festas

Tá chegando a hora de ir embora. Nao só minha, mas de muita gente que chegou para o semestre de verao aqui. A velha guarda vai toda embora ate, no maximo, abril. E com isso, comecou o intesivao festas de depedidas. Mas na verdade elas sao apenas pretextos.

So essa semana foram 4 festas. Beleza, tres da mesma pessoa, que nao contente ainda vai dar mais uma "festa de despedida"na semana que vem. E é sempre no mesmo esquema, a galera fica sentimental, recordando tudo o que se passou nesse ano, e como foi legal, e como a gente virou uma familia, chora, vai no engradado e pega mais uma cerveja. Para afogar as mágoas e pá.

O embalo ja comecou na festa de sabado passado, quando os brasileiros resolveram se juntar aos espanhois e fazerem a FESTA HISPANO BRASILEIRA. Agora imaginem, juntar os dois povos que mais quebram tudo aqui e adicionem o fato de que um monte de gente está indo embora e nao tem nada a perder. Sinonimo de palhacada, claro.

Palhacada maior foi quem decidiram deixar no bar: Eu (dispensa comentarios), o Daniel (videm posts anteriores), o Paulo (que na festa passada ficou tao bebado que foi encontrado em cima do aquecedor dormindo apenas no final da festa), o Silvio (que ja tinha avisado dois dias antes que ia quebrar tudo e é um causador profissional) e o Gustavo (o rei das menininhas). Senhor pai amado!

A gente se revezava entre caixa, atendimento e a fabricacao em serie das caipirinhas. Os espanhois do nosso lado, vendiam sangria. E é claro que quem fica no bar bebe mais. Afinal, de quando em quando tem que provar as caipirinhas para ver se estao ok e tal. Os gringos, loucos, descontrolados pedindo as "caipis" sem parar, uma atras da outra, e a gente so provando.

O problema é que as caipirinhas eram feitas em série, de no minimo 6 por vez. E tinha vez que o fabricante da vez de caipirinhas esquecia se ja tinha posto pinga em alguma, acucar em outra ou limao naquela. Confesso que fiquei com vergonha de ter cobrado dois euros por algumas caipirinhas, mas sao ossos do oficio. Os clientes davam um gole, faziam uma cara horrivel, pensavam em reclamar, mas depois desistiam.

Depois de um tempo, comecou a rolar o intercambio sangria-caipirinha com os espanhois do lado. Ah, tinha um placar tambem, um da Espanha e um do Brasil, para ver quem catava mais. Super maduro hahahahahah.

O que ferrou foi que depois de um tempo, comecou a faltar limao, e só tinha vodka e acucar. Quem nao tem cao, caca com gato e mandamos bala na vodka com acucar. O povo nem percebia mais o que tava tomando. Tinha uma gordinha maoir cachaceira, a primeira caipirinha da noite que eu fiz para ela, foi bem forte, seguindo aos proprios pedidos da donzela. O daniel encheu de pinga, ela provou e falou "da para por mais pinga?". dai meu objetivo virou embriagar a dita cuja. Ela encostava no balcao, eu nem deixava ela pedir e ja dava uma bebida na mao dela, reforcada. Ela era um saco sem fundo, quanto mais eu dava, mais ela aparecia. Teve uma hora que ela roubou uma caipirinha, mas ela tava tao louca que eu fingi nao ver nada. Mas no final eu achei que ela nem tava tao louca. Dai no dia seguinte ouvi os comentarios de que ela tinha apagado um cigarro na orelha de um menino, que indignado, comprou um copo de sangria e derrubou a bebida inteira na cabeca dela. Super maduro hahahahahahahh.

E o descontrole nao tinha limite. Depois que eu vi um amigo nosso se fingindo de enforcado num cabo de luz, eu sabia que a tendencia era so piorar. A galera subiu na pia e comecou a tirar a roupa. isso é meio que tradicao nas festas espanholas aqui, as meninas sempre fica, rebolando de sutia em cima do palquinho. Os brasileiros entraram na onda, tiraram a camisa, fizeram bunda lele e por fim, quebraram a pia, claro. Maduros, sim.

Mas o mais engracado é que com esse negocio de despedida a galera comeca a se apegar em coisas que até entao nao se apegavam antes, como se quisessem criar lacos, mesmo. Aqui em Darmstadt, tem varias moradias estudantis, e metade dos brasileiros moravam em uma e a outra metade em outra. Sempre fomos amigos, mas por morar em lugares diferentes, as vezes nao saiamos tao juntos. Mas como todo mundo vai embora, comecou a rolar uma aproximacao, até entao menos intensa. Sem contar o saudosismo "Foi do caralho esse ano na Alemanha ", com ollhos marejados.

Comigo, como de costume, a ficha demora um pouco mais para cair. Quando vim para ca, demorei uma semana para perceber quanto tempo eu ia ficar aqui. E quando percebi, fiquei mal. Por enquanto, eu to bem sussa. Mas acho que ainda nao processei que vou ficar um tempo indefinido sem ver as minhas irmazinhas alemas, a louca da minha mae alema, o fofo do meu pai alemao, o meu tandem alemao. Acho que ainda nao entendi que eu nao vou mais poder andar com zero porcento de medo nas ruas, nao vou mais andar de bike, nao vou mais ouvir alemao no onibus.

Acho que o que eu to mais anciosa para voltar, alem de rever minha familia, é por ter a sensacao da volta. Uma coisa mais de auto conhecimento mesmo. Eu estou curiosa para ver como eu vou me sentir, como vai ficar o meu olhar para as coisas depois de um ano intenso de novas experiencias sem o menor contato com a vida que eu levava antes. Será que meu olhar ficou mais critico? Será que eu fiquei mais tolerante? Será, afinal, que esse um ano me fez uma pessoa melhor?

Mas o foda é que eu tenho certeza que todo esse sentimento vai se escafecer assim que eu entrar na marginal Tiete, sentir o cheiro do rio, ficar uma hora parada no transito e entao eu vou pensar "Que que eu vim fazer aqui?".

E depois de um tempo vou me acostumar e vou voltar a nunca mais pensar em sair de Sao Paulo.