Revelações
Conversando com a Lica esses dias no aniversário da Thais, chegamos ao seguinte consenso: a
Caipirinha Nórdica só faz sentido em viagens. Em São Paulo, ela pode ser a Caipirinha do Asfalto, mas a Nórdica, só faz sentido na busca e apreensão do desconhecido (ahhh, mandei bem nessa expressão ae, hein?)
Pois então tenho assunto. Graças a minha vida de estudantes, recheada apenas por frilas, tive a liberdade de viajar bastante no mês de julho. Acho que tomei gosto por viajar lá nas Europas, virou um vício. Meio caro, mas afinal, qual não é?
A primeiro viagem de julho foi uma viagem em busca da adolescência perdida. Fiz um mini-mochilão-familia-alheia para o sul do Brasil. A Piti ia se apresentar num Congresso, tem parentes por lá,enfim, rumamos eu, os pais de Piti, Piti e Luciana rumo a cidades com parentes e conhecidos no sul do Brasil. Fazia tempo que eu não viajava só com a mulherada, ainda mais com as amigas de infância. A baladas de anos anteriores virou o Jornal da Globo dos dias atuais... Mas foi engraçado perceber, que estou envelhecendo com decência. Não sinto tanta falta da gandaia. Talvez porque tenha aproveitado até o talo. Mas acho que a semi-velhice é interessante também. As pessoas conversam mais, e em algumas, como na Luciana, já deu até para perceber certos sinais de hipocondria.
O mais da hora dessa viagem foi a visita que fizemos a uns parentes da Piti em Senges, divisa do Paraná com São Paulo. O tio Emilio é uma dessas figuras que vc só encontra uma vez na vida. Cigarro permanentemente no canto da boca, não importa se a atividade envolvida é comer ou assobiar: ele confessou que fuma três mestros de cigarro por dia, e é mais um caso que confirma que as estatísticas sobre fumantes só podem estar erradas: o véio é mais saudável que todos os meus amigos boêmios juntos. Ele é fazendeiro e dono de posto de gasolina. Em um dos postos, uma Nossa Senhora da Aparecida de 5 metros vigia o movimento dos caminhoneiros. Na fazendo tudo é grande: uns santos barrocos esculpidos por um artista mineiro que morou lá por mais d eum ano por conta das obras. No mínimo uns 5, cada um com dois metrso cada. O tio Emilio é um megalomaníaco de marca maior, e com muita classe. A história clássica do Tio Emílio é que ele escasquetou de criar uns leões lá na fazenda dele. Dois, um macho e uma fêmea. Os parentes pararam de visitar a fazenda por medo dos bichos, o que em nada alterou a convicação do Tio Emilio. Até que um dia um leão comeu o outro. E então por bem, eles acharam melhor matar os dois leões. E empalharam. E eles têm uma sala só d ebichos empalhados. Desde galinhas até os leões. Soma-se a isso os santos barrocos, vasos de um metro e meio de diâmetro da entrada da fazenda. É digno de nota.
Depois fui para João Pessoa com meu pai e minha irmã menor. Outro revival: viagem em família. os dois só queriam ficar de boa e eu fui voto vencido, obrigada a ficar por ali, na piscina do hotel. Mas foi muito interessante a viagem, porque vi a cidade com outros olhos. Para que não me conhece a tanto tempo, já fui umas 5 vezes a João Pessoa, dos 8 aos 13 anos, praticamente. Minha puberdade em João Pessoa... parece até título de música do Raimundos. hahahaha. Foi em João Pessoa que eu tive meu primeiro amor de adolescência platônico.(o platonismo desde então virou uma especialidade, somente recentemente curada). Aliás. essa história é muito boa.
O menino era um carioca, o Alex, tinha 17 anos e eu 12. Ele era desses cariocas da perifa, muito gente boa. A questão é que eu era um tribufu nessa época: usava uns cabelos Jesus, um óculos de armação preta quadrada enorme e a forma física não era lá das melhores. E o Alex gostou de mim. Só que para meu azar, meus pais sempre foram da filosofia "irmãs unidas, onde uma vai todas vão". A Layla sempre dava um jeito de escafeder para tocar as campainhas dos outros apartamentos, mas a Leticia era um inferno, só ficava na bota. Eu anseava pelo meu primeiro beijo e a gordinha ali na cola, querendo jogar queimada. A consequência disso é que ela ouviu todas as minhas conversas com o Alex e tira sarro de mim até hoje. Eu sempre fui romântica, mas imagine uma tribufa-12 anos-nunca beijada? era cúmulo da pieguice. Boa parte do repertório da Letícia para tirar sarro de mim veio dessas férias. A preferida dela é quando o Alex comentou que ia a algum lugar com a namorada dele. Eu, caindo de um abismo, perguntei com lágrimas nos olhos "Vc tem namorada?" E ele, "Tenho, minha prancha" hahahahahahahha.
É lógico que ela contou essa história para o Daniel na primeira oportunidade que ela teve. E ele, claro, não me deu nenhum apoio moral, cascou o bico com ela.
Uma coisa engraçada sobre o Alex é que com o advento do Orkut eu achei ele, mandei um email e contei que ele tinha sido meu primeiro amor. Sei lá, achei que ele fosse gostar de saber. Ele, pelo jeito, continua gente boa e respondeu "Nossa, eu nunca imaginava! Espero que vc não tenha sofrido muito". Não, não, só alguns anos...
O Hotel Tambaú, que pertence a Fundação Rubem Beta já teve dias mais gloriosos. Com a Varig quebrada, o hotel sofreu a consequencia disso. Pedi um sanduiche de peito de peru e veio um apresuntado de quinta categoria.
Mas a cidade é muito bonita e dois episódios devem ser ressaltados dessa recente visita. Talvez três.
O primeiro é que meu pai caiu na balada, e não quis saber da gente acompanhando, não. Tudo começou no primeiro dia, quando eu estava acabada e queria ir dormir, e a Lê também. Crente que ele ia nos acompanhar soltamos um "Vamos?", já nos levantando do restaurante. E ele "Não, não, vou pro barzinho aqui da frente escutar um som". e ele ficou lá até umas 3 da manhã. a cena se repetiu nos outros dias, mas a Lê, por ordem da minha mãe, não deixou mais ele ir sozinho. hahahahaha, uma vez ele fugiu da Lê e ficou lá da janela do quarto olhando ela procrar por ele no bar hahahahahahah. foi foda.
O segundo envolve meu pai também. Em um dos dias estávamos tomando sol na piscina do hotel e um garçon trouxe para ele um coquetel de fruta "de cortesia". no mesmo dia, fomos jantar no restaurante do hotel e o mesmo garçon estava lá, se desfazendo em gentilezas para o meu pai. No terceiro dia, o mesmo garçon, agora já sabíamos seu nome, o Carlão, estava no restaurante e a presença do meu pai deixou ele desconcertado. Ele anotou os pedidos errados, trouxe uísque sendo que a gente tinha pedido vinho, derrumou a gaveta de talheres e fez um estrondo no restaurante. A Lê até falou "eu acho que ele está drogado". mas eu cá comigo já sabia qual droga estava surtindo no organismo do Carlão: a droga do amor uiuiuiu. Qual não foi nossa surpresa quando no cafezinho Carlão solta para o meu pai: "Nossa, fui tão desastrado hoje! Vou até te convidar para uma cerveja para me desculpar!"" hahahahahahahahahahhaha, cerveja de cu é rola, meu pai saltou de banda. mas não escapou de ouvir as nossas gozações. e o único comentário que ele soltou foi " e aquela merda de coquetel de fruta ainda era sem álcóol..."
No último dia, conheci através da Carmem, uma amiga nossa em João Pessoa que é a mais fofa das fofas, umas meninas mais ou menos da minha idade lá de João Pessoa. Meirileine, Larissa e Luciana. Engraçadas até o talo, essas meninas me levaram para a balada em João Pessoa. E lá estávamos na pizzaria quando chega... o filho do dono da cidade. O pai dele é o cara de João Pessoa. São dele a maioria da slojas de marca do shopping, como a Diesel e a Replay e na festa de aniversário da filha ele chamou a Ivete Sangalo para cantar. O filho dele era um bagulhão bem arrumado, afinal o que o dinheiro não faz? Sentou na mesa e a primeira frase que disparou foi para mim "Você não é daqui, ne?". Não mesmo, mas como ele sabia? huuumm, será o tom de pele? mas ele estava de graça era com a Larissa, que astuta, saiu fora delicadamente. depois ouviu as criticas de Meirileine"Fica dando bola para esse cara..." e Larissa "ÊEE Meirileine, parece que não conhece, se eu trato mal, a gente é morta e ninguém nem acha o corpo".Os jagunços ainda vivem. Eu sei que me diverti muito com essas meninas, e a gente se deu tão bem, que no fim da noite elas já estavam me chamando até de apelidos carinhosos como "arretada" ou "quenguinha".segundo elas me explicaram, no bom sentido.
A viagem derradeira foi para a Flip, em Paraty. Eu sempre quis ir, mas nunca podia, estava sempre trampando. Arrumei um frila como pretexto e lá me encaminhei. O episódio mais da hora de Paraty, foi esse frila. Eu fui entrevistar a tatataraneta de D.João, a Killy, uma menina muito fofa e amorosa. Ela tem síndrome de Down e lançou um livro na Flipinha, versão infantil da Flip. Durante a entrevista, tudo OK. Na hora das fotos, eu não me aguentei: estava na sala real! Tive que tirar uma foto com uma bengala com a cabeça de D. João, a qual encarei como um cedro. E confesso que tirei mais algumas. Confidenciais.
